Apenas creia.

"não deixe que seus pensamentos, suas palavras, nem as suas ações contradigam aquilo que Deus diz a respeito de você..."

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Silencioso Desiderato


No dia-dia, em meio ao extremo das horas, as coisas passam em sua volta e muita das vezes, aquele nosso “eu” supremo, aquele lado meio impostor que reside dentro de nós, nos deixa impávido num mundinho fechado que, só vemos o que está à luz do nosso interesse. Ignoramos, reprimimos e até mesmo rejeitamos sentimentos que estão ali, ao alcance dos olhos, ao acalanto das mãos e do olhar... De um simples olhar. Essas aspirações são frutos de uma desentranhada atitude do imaginável. O imaginável saber do sabor de pensar e, de repente, acontecer.


Mas como em meio a uma situação inesperada, um lugar inesperado, um inoportuno instante carregado da mais absurda impaciência... A palavra lançada cuidadosamente, a gentileza servida como se esperasse o prato favorito, a delicadeza meio indelicada, a sutileza do minuto aproveitado, do minuto conquistado e a muito esperado. Descobri que, vale à pena ainda correr o risco do ridículo, e pedir pra ter a sorte de não ser patético. Mas nada importa quando o ridículo foi triunfante e fez a sorte mudar de lado.


O momento. Aquele segundinho se torna eterno que somos capazes de ouvir seus passos rumo à ausência do tempo presente... A realidade daquele instante desapega-se e apieda-se da imaturidade absurda de encantar-se bem ali; olhando para si e louco querendo olhar nos olhos dela! As palavras escorregam sem sentido, e sem nenhum sentido fui capaz de sentir-me vencedor. Mas isso são coisas de quem tem saudades do que é o amor!


Se soubesse quanto tempo dura uma solidão, poderia dizer agora que durou exatamente o tempo suficiente para me trazer você. Não sei se vai permanecer, não sei o que devo falar, confessar, não sei se queres viver essa tão inacessível solidão que, é preciso findar, preterir, destituir. A solidão tem suas próprias horas sempre enlutadas de vazio e agora entendo que esse vazio nada mais é que, um espaço limpo preparado pela solidão para receber você. Cuidado, isso tudo é tolice minha! Ou não?


Não importa se não percebes, se não cultivas a sensibilidade de tato trazidas pelas insidiosas atitudes provocadoras de um re(encontro)... Estar só me permite enxergar além do que eu mesmo desejaria não ver ou viver. Posso dizer que o hoje foi bem melhor que o meu ontem e que o meu amanhã vai sofrer com a tua dependência. Mas não tolere meus absurdos! No entanto, não culpe o tempo depois. Sou capaz de totalmente resignado entender que, o coração nem sempre olha os sinais do dia-dia, mostrando que o mundo não acabou. Quem sabe esses sinais estão gritando que bate à porta o inesperado novo amor.

terça-feira, 26 de maio de 2009

remitir


Chega um momento em que, sentir solidão não passa de uma simples sensação de vazio ou de espera... Sem ao menos saber o quê. Você se sente longe de qualquer perspectiva, não consegue ter o tato de uma alegria verdadeira, está se arrastando pela vida e mergulhado numa profunda realidade cruel, insípida, fria e escura. Mas lembre-se, Ele sabe disso!

Você se acha tão pequeno diante daqueles que se julgam grandes; diante dos holofotes dessa podre máscara de descarados sem memória. Você chora de raiva porque tudo parece dar errado, as coisas estancam sem evoluir no compasso do relógio de uma vida confortável, o caminho é estreito e você argumenta com os espinhos e acha que seus passos se perderam... Mas lembre-se, Ele vê e sabe disso!

Teus planos em cada novo ano nunca acontecem. Tuas decepções flutuam em uma órbita que, gravita cada vez mais veloz em sua própria volta e não te deixam em paz. Tua força de vontade sofreu a abulia mais tensa e aquela luz no fim do túnel parece ter ficado mais distante, opaca e o bruxuleante coração vai ficando mais ausente de sentir-se, oco... Mas não se esqueça, Ele sabe disso!

Você se ver como a cor e a pele de um vazio, tua alegria é um disfarce para camuflar tua dor, essa descarada dor. A solidão te sufoca a tal ponto que, você deseja morrer, parar e o falso amor que recebes lhe dar mentiras insaturadas, você se ver deslizando numa lama de vexames jamais querido. Se ver solto e preso dentro de si, numa clausura de pecado inconfessado, dormentes, parece não sentir perdão... No entanto, lembre-se, Ele sabe disso!

Tua imagem refletida no espelho é a imagem do velho homem, você ver que as cicatrizes se abrem, os caminhos se fecham, a vida sofre uma inundação de valores perdidos, problemas escondidos e estilhaços se juntando, querendo trazer de volta um medo vencido... O calor esfria, o amor se põe como o sol num fim de tarde, a vida se ajoelha numa tormenta tempestade... De repente, você não vê, mas Ele vê e sabe disso!

Não consegue sair da mesmice, essa dolorosa inimiga dos que têm caráter de atitude. As raízes fundas da incerteza, essa planta crescente e silenciosa faz inumar corações ardentes que, por agora são vistos em passos perdidos, olhos sem horizonte, dissabores a ponto de crer que o céu se fechou e ficou incolor. Mas acredite, Ele sabe disso!

Você se pergunta, Mas quem é Ele que sabe de todas as coisas que sofro e nada faz só me faz saber que “sabe disso”? Quem sabe Ele seja quem sabe mais de você e, por tanto saber, Ele sabe que você não o ama a ponto de entregar-se sem querer saber que, por Ele saber de todas as coisas, somente Ele; Justo, Eterno, Soberano, Unico e Senhor, poderá cuidar tão bem de você.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A infância mudou ou fomos nós que mudamos?




O recordar da minha infância me traz lembranças tão boas que, daria tudo para reportar-me ou até mesmo prender-me naquele tempo que, infelizmente não voltará mais. Ah que saudade daquela época! Onde não se via uma mácula, não percebia a frieza do mundo e nem sua extrema crueldade para com os semelhantes. Mas somos semelhantes a quê? Se nosso comportamento, às vezes, reflete uma disposição bem pior de que dos irracionais. Somos maus, necessitamos de mais amor, mais tato, mais sentimentos simples e desinteressados, mais proximidade a fim de que nossa sensibilidade se apure se purifique.


Certamente não estou sozinho quando o assunto é a velha infância que já se foi, está perdida no passado, sozinha... Mas ao mesmo tempo tão guardada na memória daqueles que aproveitaram o melhor momento da vida, da forma mais simples e nominal possível: Brincando! A infância, que vem do latim in-fans, aquele que não fala, que está destituído da linguagem madura, cai bem a nomenclatura, se vermos as atitudes e tolices tão boas que, causavam alegria e sorrisos soltos de nossos pais... As fotografias que os diga! É isso mesmo foto. Na minha infância não tinha filmadora, celulares mágicos pra registrar meus momentos. Se você perceber a maioria de suas fotos reveladas, elas devem ter mais de 15 anos... Afinal essa era digital fez sofrer “os estúdios foto sombra” com a carência daqueles negativos surpreendentes... Eu ficava encucado com aquela “tecnologia” da época.

Quem não se lembra daquelas brincadeiras da infância? Esconde-esconde, pega ladrão, rouba bandeira, ciranda cirandinha, cai no poço, cancão(amarelinha pra outros), 31 alerta, paralisa, stop. Meu Deus tantas outras brincadeiras, tão importantes para o meu aprendizado, tão saudáveis, como tomar banho de chuva na porta de casa, e hoje não dá, dizem que pega resfriado. Eu nunca peguei! A infância do meu tempo era movida pelos colegas da rua onde eu morava, a infância do meu tempo, se passou subindo num pé de mangueira, pé de goiaba, quando eu ficava pendurado de cabeça pra baixo e minha mãe (vó) dizia que o sangue ia pra cabeça e eu ia morrer!!! A infância do meu tempo era jogar bola no quintal de casa ou na rua de travinho, e quando não tinha todos meus colegas, a gente jogava “rebati”, é quando tem um goleiro que ficava tentando agarrar a bola enquanto tinha dois na linha tentando fazer o gol e outro ficava no desafiado. A infância do meu tempo chamava as meninas pra brincar de médico, tirando as meninas de suas barbies faces, quando elas começavam a deixar de lado aquela bonequinha “two play two plin, bolinha de sabão”, ou simplesmente deixando pra depois sua boneca moranguinho.

Quantos brinquedos inesquecíveis e de tão inesquecíveis eu nunca esqueci que muitos deles nunca pude ter. As meninas sonhavam em ter a coleção da Barbie, enquanto sonhávamos com a coleção do playmobil. Os meninos eram fascinados pelos autoramas e motoramas, sem falar na única marca de vídeo game que tinha: Atari. As meninas se deliciavam com um brilho labial moranguinho, afinal elas sempre queriam parecer mais velhas. Mas quando o assunto era jogar, ninguém resistia a um Banco Imobiliário, War... Ai a turma toda brincava sem parar enquanto a mamãe sempre preparava aquele suco de tang. Lembram? É são recordações da minha infância, dos desenhos que passavam na “turma do balão mágico” ou no “xou da Xuxa” que iam da Penélope charmosa até os super-amigos.

Aos nossos filhos, nos resta contar um pouco do muito que foi a nossa infância. Tão rica de brincadeiras, brinquedos de todo o gênero, eita que a Estrela reinava nessa época. Infância de conversa na porta, infância de dormir cedinho, infância dos trapalhões, dos cantores preferidos que queríamos ver no Chacrinha, infância sem MSN e ORKUT, sem celular, sem essa coisa tão fria e tão virtual que assistimos hoje nessas crianças geradas por nós. Nossos filhos, são frutos da melhor infância vivida que, certamente foi a nossa infância. A infância onde a casa era também um brinquedo e nossos coleguinhas mais pareciam da nossa família. Essa saudade obstinada da infância, é só um alerta para que não deixemos que as crianças de hoje, tenham uma infância tão adulta e quando forem adultos, queiram viver como se fossem crianças.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um minuto apenas.


Um minuto além do que possa acontecer, é o bastante pra que a vida nos traga surpresas jamais imaginadas.
Um minuto além do que eu possa entender, é o bastante pra que eu descubra que nem tudo ainda foi vivido e que essas vicissitudes são inevitáveis.
Um minuto além do que eu possa perceber, é o bastante pra que o natural se torne algo tão excêntrico, extremo.
Um minuto além do que eu possa esperar, é o bastante pra me fazer acolher aquilo que só me fará bem.
Um minuto além do que eu possa evitar, é o bastante pra que o silêncio dos meus erros me faça caminhar na estrada do amadurecer.
Um minuto além do que eu possa aprender, é o bastante pra dar todo fruto que tenho, sem ter medo de perder.
Um minuto além do que eu possa fazer, é o bastante pra desistir de fazer o que me fará ser um homem melhor.

Começar...


Redescobrir-se é uma invenção pertinente a cada um de nós. Tão fácil que exige um simples olhar para a criatura interior que existe dentro de si. Redescobrir-se é a busca afinada, apurada de uma pessoa melhor, de alguém mais simpático no trato com as adversidades, com os problemas, com as tolices de querer ser o todo-poderoso diante dos olhos julgadores e pútridos dessa sociedade envenenada de posses, prazer, poder e bens. Afinal a figura humana foi trocada por essas concessões, conveniências. Hoje é mais fácil Ter para que assim você venha Ser; sem importar-se com o estúpido padrão dessa visão tão medíocre, tão mesquinha. Haja vítimas, são tantas, sou uma.

Mas redescobrir-se é começar... Não recomeçar. Pois o novo não se recomeça, se começa. Eu, depois de um isolamento que quase tirou de mim a vida, conheci dentro de mim uma outra pessoa que nunca antes tive a oportunidade de apresentar-me. Alguém bem mais próximo da essência humana de errar como qualquer um, mas condicionado numa volição de arrepender-se sem ter vergonha e de corrigir-se sem ter medo. Nessa arriscada reclusão, de meses e meses, me senti igual uma águia. A águia que, quando passa por aquele tempo em sua vida de total transformação, renovação, redescobrindo-se em meio às dificuldades de sua vida. O águia aqui, escondeu-se não no receio de encarar o problema de frente, mas se acolheu sob as asas do Criador. Aqui estou, sendo purificado como o ouro, passando pelo fogo, rompendo por meio da fé uma solidão que devorou sonhos, e destronou esperanças. Mas acabou! Estar sozinho num momento em que exige redescobrir-se é confrontar-se com as limitações, mas nunca alimentar o vazio que a solidão cria. Enchi-me de esperança. A esperança que um dia deixei de lado.

Subi tão alto além das montanhas dos meus medos, além das nuvens cinzentas de incertezas, desilusões, para recompor cada pedacinho, cada cicatriz tragicamente aberta...Curando, e renovando as forças, afim de partir para o mais sublime vôo da minha vida. O voo ruma a excelência da submissão, o voo da mais esperada partida ao encontro do novo...Um novo que ainda estar por vir. Hoje acolho em mim outro sentimento, um coração pronto para amar, tratado pelo tempo e pela fé, renascido...dispensa seus próprios interesses, abre mão da disfarçada alegria. Estou pronto para partir, para Começar, afim de sempre me redescobrir e me fascinar com as mais novas paginas escritas da minha vida.

Afinal “Os que esperam no Senhor, renovarão as suas forças, subirão como as águias, correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão.”

O mundo das fusões e das ideias infundadas


Com a globalização, essa união massificada dos povos, culturas, raças, essa aproximação abstrata entre as nações, o mundo vive nos últimos tempos, avanços significativos. É a internet e seus fascínios, às vezes, absurdos; são grandes blocos de países desenvolvidos e em desenvolvimentos, com seus números e gráficos que, só por eles mesmos são entendidos, julgados e avaliados; afinal a maioria nunca sabe ao certo como esses números afeta a sua vida.

Como se estivéssemos numa estação, vendo as novas tendências da moda, o mundo hoje assiste, quase sem perceber a diferença, a essas fusões de grandes empresas nacionais e multinacionais. Os noticiários dos últimos anos, vez por outra são ocupados com o estopim econômico da fusão de grandes empresas.
Os comerciais de cerveja, por exemplo, perderam aquela alegria e criatividades extremas, após a fusão da Brahma com a Antarctica, criando a AmBev. Aquela rivalidade de cem anos que existia entre elas, foi-se desaparecendo sem que percebêssemos. A coisa é tão fabulosa economicamente para eles (seus donos) que a AmBev hoje se casou com a Belga Interbrew.

E nessa enxurrada de fusões, de estratégias globais desses grandes grupos mundo à fora, aqui nesse país de culturas tão diversificadas, grupos tão conhecidos da gente, principalmente pelo talento de seu marketing, estão andando de mãos dadas como casais apaixonados. No ar, a Varig não resistiu aos encantos da jovem Gol; aquele comercial fabuloso, Varig...Varig...Varig ficara na lembrança. A Nestlé pediu a mão da Garoto em casamento mas com regime “parcial de bens acionários”. Quando você for seduzido a cooommpre batom, da Garoto, saiba que ele agora é da Nestlé. O que falar do Itaú com o Unibanco, Telemar e Oi, Votorantim e Suzano(celulose) a Alemãs Porsche e Wolkswagen, a Sadia, da vovozinha simpática do comercial e Perdigão que já teve Pelé como seu garoto propaganda.

Meu Deus, tamanho talento para gerir a economia mundial, mentes brilhantes que percebem a concorrência desnecessária e resolvem unir-se para serem tratadas como gigantescas, a fim de salvar o bolso, o caixa, a honra de dizer: Não sou falido! Grandes atitudes, mas por que nos sobra ideias infundadas quando precisamos ser mais solidários, mais humanos? Por que as ideias quase sempre são mesquinhas quando se trata de solucionar problemas sociais, quando precisamos fazer alguma coisa para acabar com a desigualdade, para vivermos num lugar melhor, mais decente, mais próximo da dignidade humana? Por que nunca conseguimos dar o melhor dos nossos bens, sonhos e talentos quando o assunto é o próximo? Os homens são máquinas, e as máquinas parecem que hoje são homens! Seria tão bom ver a fusão de governos, classes sociais, cidades, países e até quem sabe torcidas de time de futebol para vivermos num lugar onde as diferenças seriam apenas traços da personalidade e nada mais.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

DESABAFO....

Eu vejo hoje que o presente se tornou reflexo constante do meu passado.
Vejo que lá fora o mundo se torna cada vez mais apático,
E minhas tolices impedem de ver o outro lado da rua, da vida.
Vejo hoje a solidão quente, ardendo como febre delirante em mim,
Eu vejo que meus passos errados estão perdidos e o que eu posso fazer agora é arremessá-los ao esquecimento; é isso um tormento pra mim.
Eu vejo com olhos apaixonados, um abraço apertado que exprime amor, um amor latim.
Coisas que me cegaram, agora meu espírito sereno me faz ver.
Eu vejo hoje que as coisas simples e importantes da vida são exatamente as mais desprezadas. Tornamo-nas desprezíveis pelo fato de que somos vazios. Ocos por dentro, defuntos de pé.
Eu vejo hoje que sentir saudade e sentir falta não são as mesmas coisas. Afinal saudade presume que a ausência em algum momento poderá ser finda, contudo quando se sente falta é porque lhe foi tirado um pedaço, pelas próprias mãos ou pela circunstancia feroz de algum momento.
Nem todo pedaço tirado de nós vai nos fazer sentir saudade; uma coisa é certa: Se for importante, vai fazer falta.
Eu vejo hoje que o sabor do suco que mais gosto parece amargo, o doce da vida não é a dose medida de açúcar, mas sim um pouco do nosso melhor, temperando as coisas amargas e secas da vida.
Eu vejo hoje que o tempo passa tão silencioso, imponente, frio, surdo e perfeito. Não se comove e nunca envelhece.
Eu vejo hoje meus verdadeiros amigos, amigos que muito deles nem sabe que os tenho como grandes amigos. Amigos que chego a sentir saudade por não tê-los tão próximos, às vezes. Hoje meus verdadeiros amigos, são as pessoas mais ausentes de mim, são as que mais falam de mim, são os que me julgam sem o rito adequado. Meus amigos eu careço de vê-los, muito embora os dias passem e eles parecem se tornar menos verdadeiros.
Hoje eu vejo as coisinhas de detalhes e os detalhes das coisinhas. Miúdas, comezinhas, rasgam e afogam o meu equilíbrio e me colocam num barco de vicissitudes que não queria vivê-las. Só me fazem mal.
Hoje vejo o poder fazer cair a máscara do descarado. A imundície lamear retratos de um passado não muito distante. Vejo uma nova paisagem, muito mais infeliz e hipócrita.
Hoje eu vejo uma mudança de atitude ser mais essencial que contar com a própria sorte.
Hoje eu vejo que tudo na vida é cíclico, somos verdadeiros mutantes de alma, congelamos por dentro, mas esforçamos pra manter uma aparência que não se sustenta somente com o próprio caráter.
Hoje eu finalmente vislumbro que um pedaço de mim vai sempre embora quando, nos meandros da vida, nessas agruras, o meu rosto cada segundo menos jovial, vai deixando a senil serenidade aperfeiçoar-me de dentro pra fora.
Hoje, olho pro ontem e consigo ver que nem todas as coisas que fiz foram boas, mas que certamente todas elas me permitiram subir um degrau desse duro aprendizado do viver.
Hoje... É!! hoje eu sei que é preciso começar de novo, não ser alguém notável, mas sim notar que é preciso ser alguém.
(Calvet Neto)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ao amigo, a amizade...

Como nasceria em mim, explicar qual o sentido de dizer-me amigo? O que nos da a certeza de sabermos se somos bons amigos e que temos amigos bons?
Essa aliança que faz os laços de amizade nasce ouro, cresce prata e, muitas vezes, morre bronze. Felizes são os amigos que vivem nesse contrário. Não são amigos, estes são chamados irmãos. Comparados assim porque de fato, assim deveriam viver os irmãos de verdade. Mas não vivem; por que dizer então que tenho um amigo que mais parece um irmão? Porque no fundo sabemos que, irmãos não somos, se fôssemos, tenho certeza que não seríamos amigos.
Ter um amigo é assumir um compromisso com a verdade extinta nas relações fraternas. É dificultar o triste penar da ausência de uma conversa franca, boa. Ser um arquiteto desse rebuscado sentimento que, a ciência ainda não o explicou.
O tempo é o relógio onde os ponteiros são os amigos que temos. Uns permanecem em nossas vidas por alguns até longos minutos, outros passam subitamente como as horas e outros amigos que, duram o tempo da nossa vida. O Ruim é que não dá pra acertar nesse relógio seus ponteiros, pois assim poderíamos nos livrar de falso passa-tempo, falsos amigos, atrasos de vida. Mas assim ficaria sem graça.
Não sei afirmar quantos amigos eu tenho e nem ao menos dizer de quantos sou amigo, mas posso garantir que, seria capaz de amá-los mesmo que, todos eles me odiassem. Afinal amar é uma necessidade que prescinde de bons amigos, mas, no entanto, não sobrevive sem a experiência da amizade.
Tenho amigos que, apenas desconfiam que acalanto por eles um rascunho de carinho. Mal sabem que desse rascunho poderíamos fazer traços perfeitos de um retrato de amizade que, o tempo jamais apagaria. Esses mesmos amigos se apegam muito mais a essa estranha e imatura atitude de ligações ao celular, convites pra noite, um barzinho, algo com essa essência, do que a infalível compreensão de aceitá-los com suas fraquezas, defeitos.
Meus amigos, a eles um olhar inquiridor e repreensível, não admitindo os vacilos, mas coroando-os com o nobre abraço que transpira uma saudade quando a muito não os vejo.
Meus amigos, a eles um sorriso acolhedor, a gentileza inexpugnável e também os trapos dessa vida que ensina, somente ensina, nada mais. Aos meus amigos, sempre peço que sejam como a calorosa sensação de ser a cada dia um velho novo amigo; não me parecendo toda vez um espelho velho. Porque sempre existirá um desejo de querer se doar de querer viver, de querer estar ou permanecer ao lado das pessoas que precisam da vida pra ser vivida.